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A Igreja católica de Moçambique é jovem e ministerial. Os leigos são os evangelizadores da primeira linha, fazem chegar às aldeias a fé e alimentam-na através da catequese e da celebração da Palavra. São eles os verdadeiros líderes formadores dessas comunidades também através do testemunho de vida.
Admiro a importância destes cooperadores providenciais e companheiros inseparáveis de tantas aventuras apostólicas. Vejo-os como pais de família, transformados em apóstolos. Conheci alguns que assumiram o serviço de catequistas, quando ainda eram simples catecúmenos e outros até analfabetos. Esta aparente inaptidão era colmatada pela vontade de, a todo o custo, dar testemunho do Evangelho que os orgulhava. O seu empenho foi sempre um estímulo forte para a minha própria atividade missionária. Viajei muitas horas com catequistas, de carro, de bicicleta ou a pé, na visita às comunidades do Niassa. Debaixo de sol ou chuva, por picadas poeirentas ou atravessando pântanos, indo ao encontro de grandes assembleias ou pequenos grupos. Com eles partilhei, além da alimentação que nos davam nas comunidades, muitas alegrias e também tristezas. Nessa convivência fomo-nos evangelizando reciprocamente. Juntos fomos, perante as pessoas, testemunhas da unida- de em Cristo que ultrapassa as fronteiras. Sendo essencial o papel do catequista na pastoral, a sua formação é a prioridade das prioridades. E foi com a consciência desta responsabilidade que também eu me fui moldando como missionário. Formação integral da pessoa e do cristão Desde 2007, sou responsável do Centro Catequético do Guiúa, Inhambane. Realizo deste modo o anseio de dedicar-me a tempo pleno à formação de famílias evangelizadoras, partilhando com elas o dia-a-dia. Fundada em 1972, esta escola já formou centenas de famílias de catequistas das diferentes dioceses de Moçambique. A primeira vez que ouvi falar do Guiúa era muito miúdo. Através do testemunho do seu fundador, padre António Antunes, conheci os missionários da Consolata e nasceu em mim o desejo de ser missionário. No Centro Catequético estão comigo, anualmente, 13 famílias de catequistas com os filhos, oriundas das várias missões da diocese. A formação dura um ano e os catequistas moram aqui com os filhos, estudando, rezando, catequizando, plantando, vi- vendo em comunidade. A for- mação básica divide-se em três pontos fundamentais: família, formação catequética e humana. A jornada começa às 6.00 horas, com a Missa ou oração da manhã e termina com a oração da noite, em família. O dia é dividido em aulas de formação em catequese, liturgia e bíblia, aulas de alfabetização, prática de agricultura, economia doméstica, corte e costura, informática e culinária. Procura ser uma for- mação mais completa para a vida e para que eles, depois, a transmitam, quando regres- sarem às suas aldeias. O objectivo do Centro é a for- mação integral das pessoas, baseada na família, no trabalho e na formação espiritual, religiosa e humana. Assim, os catequistas poderão ser verdadeiros cristãos nas suas aldeias, orientar a comunidade cristã local, ser formadores de agentes de pastoral nas suas paróquias. É um desafio para a Igreja local: formar cristãos apóstolos, para que sejam o sinal da Igreja no ambiente onde vivem. Publicado em Fátima Missionária: www.fatimamissionaria.pt
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